Transações imobiliárias revelam teia da corrupção

Imóvel avaliado em R$ 4 mi pode ser pivô escândalo de compra e venda de emendas

Imóvel avaliado em R$ 4 mi pode ser pivô escândalo de compra e venda de emendas

Um dossiê contando como funcionava o abastecimento  do ‘esquema’ de corrupção encaminhado ao blog do Antônio Martins por fonte anônima, além de apontar “sérios indícios de lavagem de dinheiro” em transações imobiliárias, pode revelar uma teia oculta que estaria sendo usada para alimentar os quatro núcleos do esquema de corrupção no Maranhão: empresarial, político, de operadores financeiros (leia-se agiotas) e de agentes públicos.

Com os documentos é possivel rastrear várias movimentações financeiras que teriam sido usadas para lavar recursos que supostamente seriam desviados dos cofres públicos, por meio, principalemnte, de emendas parlamentares. O destino, quase sempre, são contas de pessoas usadas como laranjas ou empresas e organizações sociais, como institutos e associações.

O susposto esquema está relacionado principalmente ao envolvimento de prefeitos, deputados, senadores, empresários, advogados, contadores, ex-parlamentares e ex-prefeitos. As transações suspeitas envolvem vários imóveis, entre salas e apartamentos, além de casas luxuosas e prédios comerciais como ocorreu no caso de uma propriedade localizada na Avenida dos Holandeses,  em São Luís, que estaria avaliada em R$ 4 milhões.

O négocio que foi revelado essa semana pelo blog e, teria sido intermediado pelo deputado federal Júnior Lourenço (PL), com o empresário Rogério Albino de Sousa, ex-dono da empresa Maxtec Serviços Gerais e Manutenção Industrial Ltda, pode ser a ponta do iceberg envolvendo um esquema bilionário de compra e venda de emendas entre deputados maranhenses.

Rogério Albino, ex-dono da Maxtec e o deputado federal Júnior Lourenço

Rogério Albino, ex-dono da Maxtec e o deputado federal Júnior Lourenço

Nas denúncias que foram encaminhadas ao blog, estaria evidente que a teia criminosa se divide em uma estrutura com vínculos horizontais, em modelo cooperativista, em que os integrantes agem em comunhão de esforços e objetivos, e em uma estrutura mais verticalizada e hierarquizada, com centros estratégicos, de comando, controle e de tomadas de decisões mais relevantes.

Há quase dois anos existe uma investigação conjunta dos órgãos de controle e fiscalização de recursos públicos que deve resultar em uma operação para desmontar a organização criminosa com atuação no estado. O principal alvo é o deputado Júnior Loureço, que é considerado o principal elo da estrutura de corrupção, envolvendo lobistas maranhenses  com integrante do Câmara e do Senado.

Contrato social revela que Rogério Albino integrou a sociedade da Maxtec

Contrato social revela que Rogério Albino integrou a sociedade da Maxtec

A “teia” teria como um dos seus mais sólidos canal de abastecimento, construtoras e várias empresas que prestam serviços a vários órgãos públicos da administração estadual e municipal. Uma dessas empresas, por exemplo, seria Maxtec que possui quase R$ 100 milhões em contratos e está no epicentro de um iminente escândalo envolvendo dinheiro público.

A firma tinha no quadro societário os empresários Ricardo Cordeiro Gonçalves e Rogério Albino de Sousa. No entanto, segundo apurou o blog, o primeiro deixou a sociedade e o segundo acabou ‘vendendo’ a companhia para a empresária Isadora Galvão Gonçalves, que por coincidência, possui o mesmo sobrenome de um dos sócios anteriores.

Alteração no contrato social feita em 2019 mostra empresária Isadora Gonçalves como ‘proprietária’ da Maxtec

Alteração no contrato social feita em 2019 mostra empresária Isadora Gonçalves como ‘proprietária’ da Maxtec

Curioso, entretanto, é que logo após assumir o comando da firma em fevereiro de 2019, Isadora Gonçalves deu pleno poderes para o diretor da Maxtec, Carlilson Soares Reis, assumir todos os negócios que envolvem a empresa, conforme documento em anexo extraído do dossiê denominado ‘teia da corrupção’.

Ricardo Gonçalves, que foi sócio de Rogério Albino na Maxtec, é dono da Cefor, beneficiada em 2007 com um contrato de R$ 4,2 milhões junto à Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), comandada na época por João Castelo Ribeiro Gonçalves.

Movimentações financeiras da Maxtec apontam transações com Rogério Albino e outra empresa de sua propriedade

Movimentações financeiras da Maxtec apontam transações com Rogério Albino e outra empresa de sua propriedade

Além disso, os arquivos das denúncias mostram ainda que essa não foi a primeira vez que o antigo sócio Rogério Albino foi beneficiado com negócios envolvendo o erário público. No final 2012, a Pavitec, construtora que detinha quase todas as obras de pavimentação, recuperação e asfaltamento das vias de São Luís, durante a gestão do prefeito João Castelo, recebeu no apagar das luzes quase R$ 20 milhões.

Na época, a constituição social da empreiteira apareciam os nomes dos verdadeiros proprietários, mas quem dava as cartas eram os empresários Luis Alvim Neto e Ricardo Cordeiro, que seria parente do ex-prefeito Castelo.

Isadora Gonçalves ‘assumiu’ a empresa para Carlilson Reis ‘comandar’

Isadora Gonçalves ‘assumiu’ a empresa para Carlilson Reis ‘comandar’

O dossiê da teia criminosa mostra que a Pavitec, que teve seu nome relacionado em um dos depoimentos sobre a morte do jornalista Décio Sá, ganhou o primeiro contrato na capital para a recuperação de ruas no Olho D`água, local onde morava o ex-prefeito, ao valor de R$ 33 milhões.

R$ 4 MILHÕES EM SOCIEDADE

Além disso, os documentos apontam que Rogério Albino é sócio de quatro empresas no Maranhão, incluindo, uma que atua no ramo imobiliário. O capital social dele nas sociedades totaliza a bagatela de R$ 4 milhões 450 mil. Os dados mostram ainda que a primeira sociedade do empresário, que mudou da água para o vinho, foi firmada em 21 de junho de 2001. Ele, entretanto, muito antes disso, já integrava outras sociedades e possuía até mesmo uma empresa homônima em seu nome na cidade de São José de Ribamar. Os detalhes vamos revelar nos próximos dias.

1 responder
  1. jornalismopw
    jornalismopw says:

    Olá! Segue nota da Maxtec. Gentileza publicar como direito de resposta. Grato!

    Maxtec tem novos proprietários desde 2018

    Em resposta a postagens de blogs locais a direção da Maxtec Serviços Gerais e Manutenção Industrial Eireli informa em nota que a empresa possui novos proprietários desde 2018. Afirma ainda que a antiga gestão não possui mais qualquer vínculo empregatício ou gerencial com a empresa, e que todos os contratos são regidos pela transparência, ética empresarial e leis de responsabilidade fiscal, social e ambiental. Veja a íntegra da nota.

    Nota de esclarecimento

    Em defesa da verdade e em respeito aos clientes, colaboradores e ao público em geral, a direção da Maxtec Serviços Gerais e Manutenção Industrial Eireli informa que, em 2018, a empresa foi adquirida por novos proprietários, que assumiram desde então o total controle administrativo e a gestão financeira desta conceituada empresa, que atualmente gera mais de 1739 empregos diretos.

    Portanto, desde 2018, o Senhor Rogério Albino não possui mais qualquer vínculo com a empresa, seja ele empregatício ou gerencial. Todos os nossos contratos públicos e privados são regidos pela transparência, ética empresarial e legislações de responsabilidade fiscal, social e ambiental. A direção da empresa está disponível para prestar novas informações e esclarecimentos julgados necessários.

    São Luís/MA, 16 de junho de 2020

    Robert Max Mousinho

    Diretor comercial

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