Organizações Sociais tinham o mesmo procurador, aponta do relatório TCE

Um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), publicado no dia 22 de junho de 2017, apontou evidente relação entre a CTSLZ – Cooperativa de Trabalhão São Luís  e a COOPMAR – Cooperativa Maranhense de Trabalho. O documento surgiu a partir de uma representação feita pelo Ministério Público por conta de inúmeras irregularidades durante a gestão do prefeito Kleber Tratorzão, em São Domingos do Maranhão.

Segundo o órgão responsável pela análise e fiscalização das contas, as Organizações Sociais têm o mesmo representante/procurador: Marben Costa Bezerra. Após minucioso levantamento feito nas contas do referido município constatou-se que os valores pagos a Coopmar totalizaram R$ 6,1 milhões, enquanto em 2016 foi pago a Ctslz quase R$ 2 milhões, conforme contratos para terceirização de serviços de recepção, portaria, limpeza, conservação, entre outros.

A reportagem do site Maranhão de Verdade apurou que Marben Bezerra era um dos principais operadores da Coopmar, responsável por arregimentar cooperados. Ele e seus comparsas também atuavam no aluguel de imóveis, representando tanto a Coopmar quanto a CTSLZ em licitações e, também, como elo com prefeituras com as quais as cooperativas mantinha contratos.

O procurador que tinha poder de representação sobre as duas entidades foi preso em outubro de 2018, acusado por lavagem de dinheiro, organização criminosa e peculato em uma operação realizada pelo Ministério Público do Maranhão, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Paço do Lumiar e do Grupo de Atuação Especial no Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em parceria com a Polícia Civil e Controladoria Geral da União (CGU).

ENTENDA O CASO
As investigações apontaram que além de contratos irregulares da Coopmar com a Prefeitura de Paço do Lumiar no valor de R$ 12 milhões na gestão do prefeito Josimar Sobreiro, o operador Marben Costa Bezerra, também era o elo com 17 prefeituras maranhenses, além da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem).

O total de recursos movimentados pela quadrilha na qual Marben participava foi de R$ 223 milhões. O representante da CTSLZ, conforme apurado na primeira fase da operação, usava junto com seus comparsas os recursos públicos desviados em outras empresas, que serviam para a lavagem de dinheiro. É o caso da Agropecuária Bela Vista, de Gleydson de Jesus Gomes Araújo, considerado o líder do esquema, e Marcelo Antônio Muniz Medeiros, que recebeu cerca de R$ 3,5 milhões da Coopmar.

Raildson Diniz Silva, primo de Gleydson Araújo, possui duas empresas que receberam quase R$ 900 mil da cooperativa e atuam como franquias. Uma delas, de uma marca de relógios, possui quiosques em São Luís-MA, Fortaleza-CE, Belo Horizonte-MG e Contagem-MG. Outras duas franquias também foram utilizadas no esquema de lavagem de dinheiro, além de uma loja de veículos pertencente a Aislan Denny Barros Alves da Silva. Já se descobriu que os recursos foram aplicados, também, em 10 veículos, mais de 300 animais, entre outros bens ainda ocultos.

Outros integrantes da quadrilha também foram presos, Artur Costa Gomes, Raildson Silva, Lucas do Nascimento, Hilda da Silva e Carlos Alex Prazeres. Eles se revezavam entre “laranjas”, montagem de documentos, aproveitando-se da experiência adquirida em outras cooperativas. Este último era o responsável pelo setor financeiro da cooperativa, com poder de movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques da entidade. Um gerente do Banco do Brasil, Peterson Santos, também foi preso na época, ele operava no sistema bancário de forma decisiva para a lavagem de dinheiro da organização criminosa.

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